Acompanhe o estudo do evangelho segundo o Espiritismo através de um roteiro sistematizado de perguntas e respostas para cada item do capítulo.
Por Gilton Carlos
23/05/2024
Item 1. Os fariseus, tendo sabido que Ele... Pergunta: Qual significado moral pode ser dado a interpretação "amar a Deus" e "amar o próximo"?
Resposta: Em termos de revelação, entendemos que em determinados momentos Deus apresentou em Moisés, Jesus e com os Espíritos na codificação por Kardec, as leis naturais compatíveis com a posição evolutiva dos espíritos na Terra. No entanto, as leis são as mesmas desde sempre. Para o Espírito a observância do amor a Deus desenvolve em si a humildade, e a relação com os outros espíritos, em todas as suas nuances de experiência, ensinam a caridade. Duas virtudes que resumem a doutrina de Jesus na promoção do bem.
Item 2. Fazei aos homens tudo o que queirais que eles... Pergunta: Como entender que a lei e o profetas estejam resumidos ao próprio entendimento de um espírito imperfeito? Não seria reduzir a lei divina a vontade dos espíritos que são tão diversas?
Resposta: Ainda aqui, como no item anterior, embora a lei seja a mesma para todos, em sua formulação encontra aplicação individualmente, sem prejuízo à justiça ou a bondade. Quando Jesus ensina que devemos amar ao próximo como a nós mesmos e fazer como gostaríamos que nos fosse feito, está estabelecendo que as consequências da lei estão sempre de acordo com a posição evolutiva do Espírito. Isto quer dizer que de ninguém será exigido além do que pode dar, tanto quanto menos do que pode oferecer. Em outras palavras, quando queremos ser mais do que realmente somos, agimos com orgulho, quando fugimos daquilo que já podemos fazer, significa falsa modéstia. Quando cumprimos com o dever que vem com a posição evolutiva que possuímos, agimos com humildade. Assim, a cada passo que o Espírito avança, a lei, permanece a mesma, válida e guiando a evolução.
Item 3. O reino dos céus é comparável a um rei que quis... Pergunta: Como conciliar a ideia de que Deus não perdoa, descrito na parábola, com a visão misericordiosa, apresentada por Jesus? Haverá alguma situação para que Deus não perdoe seus filhos, trazendo de volta a ideia de castigo eterno, sofrimento sem fim das teologias tradicionais?
Resposta: A parábola deve ser compreendida em seu sentido amplo. Como ainda carregamos resquícios de interpretações seculares que pintavam a Deus com cores humanas, pode parecer em primeira leitura que há contradição ou divergência. No entanto, a própria atitude do rei demonstra em que consiste a pena e o perdão. Para o Espírito, a caminhada consiste em aprendizado das virtudes, que podemos resumir na humildade e na caridade. Na história o devedor mostra-se humilde diante do rei, o que basta para ter sua dívida perdoada. No entanto, posteriormente demonstra não só que fingia humildade como não possuía caridade. Assim foi estabelecido que deveria sofrer as consequências dolorosas dos devedores, não eternamente, mas até saldar as dividas. Uma vez que a humildade e a caridade surgem no Espírito, não há mais necessidade das experiências que as ensinam.
Item 4. “Amar o próximo como a si mesmo: fazer pelos outros... Pergunta: Em se estabelecendo como padrão de agir a nossa própria conduta, ou seja, o que desejamos para nós, em vez de combater o egoísmo, não seria um meio de estimulá-lo, dando a cada um o poder de ver-se como referência moral?
Resposta: Quando Jesus põe fazer a alguém o que gostaria para si, estimula o Espírito a pensar no outro, antes de pensar em si. Trata-se aqui de exercício de caridade. Uma vez que, de regra, pode ser que pensemos em nós e na vontade de fazer, sem considerar o que isso pode causar a alguém. Somente deste ponto de vista o egoísmo já sente um abalo. Segundo, ao pensar em si, nestes termos, o Espírito, despertando a consciência, reflete sobre sua vontade, suas atitudes e as consequências, colocando o freio da prudência, da paciência e da utilidade em suas ações. Este lampejo de autoconhecimento favorece a caridade e o bem de uma maneira geral.
Item 5. Os fariseus, tendo-se retirado, entenderam-se entre si... Pergunta: Que conduta deve-se esperar do Espírita ante impostos indevidos, injustos, mal aplicados? Seria justo pagar este tributo ao César da atualidade sabendo-se de desvios e corrupções?
Resposta: A pergunta à época carregava mais ou menos o mesmo contexto. O pagador do imposto trazia a resistência ao pagamento fazendo disso uma questão religiosa na tentativa de validá-la. Hoje a resposta de Jesus continua sendo a mesma. Muitas vezes, a justiça está precisamente onde vemos injustiça. Não estaríamos vivendo em um país assim justamente por construções do passado? Para o Espírita, a conduta moral entende-se não só ao direito alheio, mas a sociedade como um todo, autoridades etc., sem esquecer que acima das questões materiais, deve priorizar o desenvolvimento espiritual, cujas experiências na terra servem para aprendizado e expurgo. Tendo construído dentro de si a honestidade, o amor ao próximo, a caridade e o amor até o sacrifício pessoal, de fato, terá o direito de viver em um mundo mais justo e fraterno. Ainda hoje devemos separar o César de Deus, isto é, as coisas materiais, temporárias, das coisas espirituais, perenes.
Item 6. A questão proposta a Jesus era motivada pela... Pergunta: Nota-se que a questão da revolta em relação ao pagamento de imposto era uma questão atual para os judeus. Hoje ainda presenciamos esta revolta contra impostos mais ou menos nos mesmos termos. A que podemos atribuir isso?
Resposta: A mensagem de Jesus possui uma força que transcende o contexto local, temporal, de costumes e língua, pelo fato de se dirigir ao Espírito. Este ainda, em muitos casos, não está muito diferente dos tempos relatados nos evangelhos. Por esta razão vemos hoje comportamentos semelhantes ao da história. Ainda hoje, em muitos de nós, o orgulho e o egoísmo ainda precisam ser educados para os seus justos limites, dando lugar a aceitação da justiça e gratidão a bondade de Deus que nos permite a experiência para o aprendizado, corrigindo questões internas e nos preparando para outras futuras.
Item 7. Esta sentença: “Dai a César o que é de César”, não deve... Pergunta: A que podemos atribuir o fato de nossa dificuldade em respeitar o direito alheio, as autoridades, a natureza, sem preocupação com os prejuízos que causamos?
Resposta: Em nossas atitudes, pensamentos, palavras, os cuidados para não ferir interesses e direitos estão relacionados a nossa capacidade de olhar para fora, isto é, além de nós mesmos. Esta capacidade está de acordo com a posição evolutiva de cada um. A cada degrau subido, quanto mais desenvolvido o sentimento da caridade, da humildade, mais e mais conseguiremos dar a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus. Revolta, reclamações, injúrias, ofensas a autorizades, a falta de honestidade, a cobiça bloqueia-nos o pensamento nos outros, colocando nossa vontade acima de tudo.
Item 8. O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira... Pergunta: Podemos entender que violências, abusos e preconceitos sejam manifestações de amor?
Resposta: Como Lázaro descreve, efetivamente, só poderíamos denominar amor o sentimento na sua maior expressão. No entanto, até que isso chegue, todo sentimento despertado no coração do Espírito está diretamente ligado com sua elevação moral. São os instintos, trabalhados, melhorados, mas limitados até onde o Espírito chegou. Para aqueles que já estão, moralmente, acima posicionados, naturalmente não podem compreender que o amor se expresse como imposições ou violências de qualquer tipo. No entanto, para aquele que a pratica, em sua posição evolutiva, é compreensível e aceitável as atitudes que tem, considerando do seu ponto de vista até, em muitos casos que pudemos ver, justificável. Porém, conforme sobe na escala moral molda seu comportamento, seus sentimentos, suas opiniões refinando-os cada vez com o bem. É por essa razão que hoje muitos de nós não concordamos, condenamos, criticamos e até nos espantamos com o que praticamos no passado enquanto humanidade, classificando até como absurdos. Isto se dá porque a elevação moral nos permite ver a situação de um ponto de vista mais elevado.
Item 9. O amor é de essência divina e todos vós, do primeiro ao último... Pergunta: Como a reencarnação funciona para o cumprimento da lei de amor em todo o mundo?
Resposta: Cumpre-nos lembrar, antes de tudo, que as leis naturais tem sempre seu cumprimento na totalidade, uma vez que vem de Deus. Sua pedagogia estabelece que amemos a todos! No entanto, prepara esse caminho dentro de um processo de aprendizado que respeita as limitações do espírito. Poderíamos dizer que, embora no mundo sejamos em número de bilhões, inicialmente somos chamados ao convívio de apenas uma pessoa, para o exercício do amor. Depois mais alguns, na figura dos filhos e, consequentemente, nos demais familiares etc. Cada convívio, em cada existência, é um passo, uma conquista. Com o tempo, aprendendo a amar um de cada vez, alcançaremos a condição de amor a todos, atendendo, sem perceber, a lei maior, fazendo o amor se estabelecer em definitivo em todos os pontos do planeta.
Item 10. Meus caros condiscípulos, os Espíritos aqui presentes... Pergunta: Como podemos traduzir o amor ensinado pelo evangelho em ações práticas, evitando o pensamento que resume este sentimento a felicidade de uma contemplação inerte?
Resposta: Todo o evangelho está permeado do significado prático do amor que Jesus ensina. Na mensagem, Sanson explica que a atitude de ser honesto, justo, ter sempre a consciência de seus atos, quando pensa se o que faz pode afetar alguém negativamente, enfim, está amando! É que até então, para parte de nós, o amor era resumido a um estado de graça, elevação a uma posição de encantamento e ébria contemplação. Mas, olhando para os atos de Jesus e de todos que os seguiram, o amor que busca a dor, para minorá-la, que se prepara para a luta com a estratégia da compreensão, é uma força ativa, que nas expressões mais sublimes atinge a si mesmo em beneficio dos outros, na forma de sacrifícios pessoais, a chamada abnegação.
Item 11. O egoísmo, chaga da Humanidade, tem que desaparecer... Pergunta: Como o conhecimento da doutrina espírita pode auxiliar no combate ao egoísmo no mundo?
Resposta: A lei maior diz do amor uns aos outros. A maior barreira para isso, portanto, é deixar de olhar para o outro, importando-se acima de tudo consigo mesmo. Eis o egoísmo. Quanto mais o olhar está voltado para o momento presente, nas disputas onde o egoísmo se mostra, maior a valorização da personalidade do espírito, tentando se suplantar aos outros. Mas, a medida que entende a vida espiritual, percebe que o horizonte das ações atuais, onde reside boa parte das consequências, é mais amplo. Passa a compreender os efeitos de cada ação, pensamento e sentimento que valoriza e defende hoje. Isto acaba influenciando e moldando sua conduta. Quanto mais detalhes tiver, quanto mais informações a cerca da vida espiritual, melhor definirá seu modo de se relacionar com os outros. Isto favorecerá a diminuição de seu orgulho, de seu egoísmo, como consequência da nova compreensão que terá. E hoje, a doutrina espírita é a que melhor oferta o conhecimento seguro da vida espiritual. É desta forma que seu estudo, meditação e vivência, auxiliam o combate ao egoísmo e promoção da caridade no mundo.
Item 12. Se os homens se amassem com mútuo amor... Pergunta: Que podemos entender quando Pascal recomenda "deixar a Deus fazer toda justiça"?
Resposta: Dupla lição de humildade e fé. Em todas as vezes que revidamos, nas situações em que pretendemos ensinar ou fazer justiça, normalmente é o orgulho que está nos sugerindo agir assim. É ele que nos faz selecionar quem merece e quem não merece nossa ajuda. Quando, conscientemente, tiramos dele essa força de nos conduzir, estaremos na situação de "fazer o bem sem distinção". É bem verdade que o coração se machuca sob os golpes da indiferença, das reclamações recebidas em troca da ajuda dada. Mas é precisamente aí que reside a oportunidade de lembrar de Deus. Pois é ele que, sob as leis naturais, deverá atuar na educação daquele que agride com ingratidão. Assim é que temos o exercício da humildade de quem cumpre seu dever e da confiança em Deus para os ajustes necessários, naquilo que não é nossa função.
Item 13. Disse-vos, não há muito, meus caros filhos, que a caridade... Pergunta: Qual a razão de os Espíritos superiores exortarem sempre ao sacrifício pessoal, abnegação?
Resposta: Os bons Espíritos trabalham sempre com vistas ao aperfeiçoamento dos que estamos mais atrás na escala evolutiva. Tendo passado pelas lutas que nos deparamos atualmente, podem instruir com mais precisão a cerca do que faz o Espírito crescer. É assim que vemos os encorajamento se concentrar no aspecto moral de nossa conduta, exercício de virtudes e combate aos vícios da alma. Se se referem ao sacrifício pessoal, do qual Jesus é a expressão máxima, é porque é o maior indicador de caridade, uma vez que representa anulação do egoísmo, numa sublime demonstração de humildade. Duas virtudes que resumem a doutrina de Jesus.
Item 14. A verdadeira caridade constitui um dos mais sublimes... Pergunta: Onde reside nossa resistência em ser benevolentes e compreensíveis para com os criminosos?
Resposta: No pouco amor que temos desenvolvido no coração. Quando este sentimento se apresenta desenvolvido dá lugar a "fusão dos seres" e impulsiona a cuidar, entender, em outras palavras, ser benevolentes para com os que erraram, sem conivência e sem condenação, nos moldes de Jesus ante a mulher acusada de adultério. Estar no convívio daqueles chamados criminosos é, ainda mais uma vez, oportunidade de exercício de indulgência e piedade pelas sofrimentos futuros que naturalmente os aguardam nos ajustes da lei.
Item 15. Acha-se em perigo de morte um homem; para o salvar... Pergunta: Por quem você seria capaz de se sacrificar dando a própria vida? (A pergunta deve servir para reflexão íntima apenas, sem exposição)
Resposta: A pergunta nos leva a lembranças, avaliações, justificativas que são naturais diante de questões dessa natureza. A reflexão nos serve para intimamente avaliarmos, no contexto do autoconhecimento, os limites que conseguimos identificar conscientemente.