SIGA-NOS
Receba Novidades
Categorias

Cap. 13 - Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa direita

Acompanhe o estudo do evangelho segundo o Espiritismo através de um roteiro sistematizado de perguntas e respostas para cada item do capítulo.
Cap. 13 - Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa direita
Por Gilton Carlos 23/05/2024

Item 1. Tende cuidado em não praticar...
Pergunta: Jesus ensina que o bem deve ser praticado sempre as escondidas?

Resposta: Compreendemos que Jesus ensina em tudo o amor, expressando-se através de atos de bondade de diferentes formas. Porém, deve-se notar que o alcance do mandamento vai inclusive no íntimo de quem o pratica. Neste trecho além de encorajar, aprovando a prática de coisas boas, faz-nos olhar para dentro e refletir se no ato caridoso há alguma "maldade" presente, representada pelo egoísmo, pela vaidade, ostentação, desejo de superioridade etc. Nos chama a responsabilização para que combatamos em tudo os vícios morais. Quando um bem é praticado discretamente o risco de estarmos sendo incentivados pelo orgulho é menor. Daí a correta prudência ao qual ele nos chama a agir na prática da caridade.

Item 2. Tendo Jesus descido do monte, grande multidão...
Pergunta: O que deve significar para o Espírita "adorar" a Jesus?

Resposta: O trecho narrado desenha uma valiosa imagem para nos ajudar a entender o significado daquela experiência. Podemos, sem exagero, ver um homem doente, excluído, sofrendo a muito tempo, buscado ajuda sem êxito, abandonado, com pouca ou sem esperança. Em suma, alguém que vive sob o domínio e as consequências de uma doença. Quando ele conhece Jesus deposita suas expectativas de cura nele. A adoração nesse contexto, traz traços de sinceridade, humildade, e de reconhecimento do que aquela figura celestial representa para todos, principalmente para os que sofrem. Este é o ponto central. A adoração está em função do que Jesus representa para ele. Para o Espírita, portanto, mais instruído a cerca de quem é o Cristo, a adoração pode representar a imitação, na menores coisas, daquilo que ele fez e como viveu, na prática do bem a todos com quem conviveu, dos necessitados aos adversários. Seguir seu exemplo, de forma prática, talvez seja uma das mais belas formas de adoração na atualidade.

Item 3. Em fazer o bem sem ostentação há grande...
Pergunta: Por que Jesus e os bons Espíritos reforçam sempre a importância de ser modesto na prática da caridade?

Resposta: Como educador divino, Jesus em tudo nos conduz para o crescimento moral. Isto significa que em todos os seus ensinos e dos que trabalham em seu nome, os valores de aperfeiçoamento do Espírito estão presentes. Quando ensinam a modéstia, combinam a caridade, que é o amor ao próximo, com a humildade que nos liga a Deus. Evitando qualquer desvio que do contrário anulariam-se mutuamente, quando, por exemplo, se faz caridade com orgulho.

Item 4. Nas grandes calamidades, a caridade se emociona...
Pergunta: Que utilidade há para quem busca auxiliar nas dores silenciosas e desconhecidas, além da própria ajuda àquele que precisa? 

Resposta: Ajudar a dor desconhecida dos outros, aquelas que não chamam a atenção, é um duplo exercício: de caridade e de humildade. De caridade pelo bem que voluntariamente se busca praticar e de humildade por não querer chamar a atenção para si mesmo, nem reconhecimentos, prevenindo as armadilhas do orgulho e da vaidade.

Item 5. Estando Jesus sentado defronte do gazofilácio...
Pergunta: Como entender o reconhecimento que Jesus faz a atitude da viúva retratada no evangelho?

Resposta: Em se tratando de caridade, ele destaca a atitude suprema de amor de quem doa. Este ponto central é o sacrifício pessoal. Ela dá o que ia lhe sustentar!, colocando-se assim, confiante mas mãos de Deus. O sacrifício é o medidor do nível de amor existente no coração do espírito.

Item 6. Muita gente deplora não poder fazer todo o bem...
Pergunta: O que devemos pensar quando impossibilitados de fazer o bem que desejaríamos, como por exemplo, trabalhar em obras assistências, hospitais, escolas, institutos, abrir um centro espírita etc?

Resposta: Voltamos às bases do ensino de Jesus em todo o evangelho para lembrar as virtudes essenciais: humildade e caridade. O desejo sincero e puro de ajudar por meio de atividades caridosas serão sempre abençoadas por Deus porque é por ela que o bem se desenvolve na Terra. Para aquele que faz o bem, diante da impossibildade que fazer muito, pelo tempo escasso, pelos recursos limitados, pelas limitações próprias, atenha-se ao que pode fazer com o coração cheio de amor e dedicação. Então o ato de caridade será envolvido também pela humildade de quem reconhece a importância de não necessariamente fazer coisas grandes na vida, mas sempre colocar grandeza nas coisas pequenas.

Item 7. Disse também àquele que o convidara...
Pergunta: Qual a razão útil, além do gesto de cordialidade em si, de fazer o bem para objetivamente não ser retribuído?

Resposta: O fato reside na educação moral presente no ensino. No nível evolutivo de boa parte de nós, predominam o orgulho e o egoísmo. Estes são os objetos desta lição. Ao fazer o bem, exemplificado na refeição compartilhada, o indivíduo exercita a caridade, mas desde que sabe que não vai receber nada em troca, anula qualquer sugestão do egoísmo, que o ensularia em seus próprios bens, exercitando, mesmo sem saber, ao mesmo tempo a humildade que lembra do dever de quem tem mais ante aquele que tem menos.

Item 8. “Quando derdes um festim, disse Jesus...
Pergunta: O que pode significar convidar os outros para "participar na abundância de que desfrutamos"?

Resposta: A caridade da pequena parábola, representada pelo festim, pelo banquete, jantar etc., resumidamente, consiste em compartilhar o que se tem com aquele que não tem. Olhando humildemente para dentro e ao nosso redor, será possível perceber que cada um de nós desfruta de certas abundâncias. Assim, se possui calma, busca tranquilizar aqueles que ainda não a aprenderam e vivem inquietos a ansiosos. Se alegre, põe o sorriso no rosto daqueles que vivem tensos pelas incertezas da própria sobrevivência. Se possui beleza, espalha o bem-estar com a sua presença e simpatia. Se sabe multiplicar o trabalho, dá oportunidade pra quem deseja ou precisa começar a aprender. Se espírita, enfim, usa de gentileza e compreensão na convivência com os outros, pois assim, sabemos, somos recebidos diariamente pelos bons Espíritos, servidores de Jesus

Item 9. “Amemo-nos uns aos outros e façamos aos outros...
Pergunta: Qual a mais importante: a caridade material ou a caridade moral?

Resposta: Compreendemos que a caridade, como virtude que vem de Deus, só possui divisão para que seja mais fácil nosso entendimento e aprendizado. Uma vez que uma, sem a outra, pode não ter o efeito desejado. Doar materialmente, em alguns casos, é um gesto que tem um alcance raso, não indo ao coração. O encorajamento, como caridade moral, pode esconder egoísmo e certa indiferença. Relembrando a parábola do bom samaritano, Jesus resumiu a caridade, não no ato em si, mas na combinação daquilo que um está precisando com o que o outro pode fazer! Eis o desafio: identificar a necessidade do próximo para oferecer o que lhe falta. Olhar para o próximo e para si. É quando encontraremos o sentido de "amar o próximo como a si mesmo". É por isso que ações pequenas, às vezes, pesam muito mais na balança divina do amor que grandes doações ou demonstrações públicas.

Item 10. Meus amigos, a muitos dentre vós tenho ouvido...
Pergunta: Por que frequentemente ignoramos os conselhos da consciência? 

Resposta: A consciência é também como um canal de comunicação com o plano espiritual. Vindo de Deus, através dos bons Espíritos, e quase sempre do protetor espiritual, só dá bons conselhos. Estes estarão sempre ligados a humildade e à caridade em suas infinitas expressões. Uma vez captado o conselho, nosso livre arbítrio filtra se será aceito ou não, se ela será escutada ou calada. É um momento de decisão, uma vez que do lado de cá quase sempre quem se opõe aos conselhos da consciência são o orgulho e o egoísmo. Quando estes vencem, ignoramos a voz da consciência.

Item 11. A beneficência, meus amigos, dar-vos-á nesse mundo...
Pergunta: Como entender a colocação de que a beneficência nos dará "nesse mundo" os mais puros e suaves deleites, as alegrias do coração? Não seria de se esperar que essas consequências viessem no mundo espiritual?

Resposta: Para entender a colocação em seu sentido mais amplo, lembremos que a lei de Deus é universal, e que pra essa questão poderia ser entendida pela lei de causa e efeito. Nos casos em que a encarnação atual é de expiação, por exemplo, em que vemos a vida em dificuldades mesmo em meio a ações boas, este preceito pode parecer falso, mas basta lembrar na doce tranquilidade e alegria que se sente após uma boa ação para entender sua aplicação. Pensemos ainda que as consequências dos atos praticados seguem o espírito onde estiver. Neste caso, certamente, os benefícios de se ter praticado o bem não só o encontrarão, mas também o seguirão aonde for. Quando novamente reencarnado, as boas consequências certamente o esperarão da mesma maneira. E esta resposta positiva do bem retornando a ele vai firmando cada vez mais seus passos na caridade e amor, dando cumprimento a lei de Deus.

Item 12. Sede bons e caridosos: essa a chave dos céus...
Pergunta: Por que o devotamento ao próximo é tão exaltado pelos espíritos elevados?

Resposta: Quando Jesus ensinou sobre o maior mandamento (amar a Deus e ao próximo), ele inseriu as duas maiores virtudes que encerram este preceito. O amor a Deus só desponta com humildade no coração e o amor ao próximo se faz pela caridade. Porém, pondo um ao lado do outro, dizendo que o segundo é semelhante ao primeiro, mostrou que o amor a Deus se faz através do amor ao próximo! Neste ponto que se assenta a exortação dos bons Espíritos: devotar-se a alguém é umas das mais belas expressões de amor ao próximo, pois quase sempre faz anular o egoísmo. E esta dedicação ao próximo, ao mesmo tempo, resulta em verdadeira demonstração de amor a Deus.

Item 13. Chamo-me Caridade; sigo o caminho principal...
Pergunta: Qual a importância da beneficência e por que ela é, as vezes, é mais importante que a caridade moral?

Resposta: Beneficência e benevolência são os dois lados de uma moeda chamada caridade, que é a forma como a bondade que há no coração do Espírito se manifesta. Na mensagem, o espírito Cáritas mostra que, de início, sai para sua missão diária de fazer o bem, de ser útil a alguém. E o faz! No entanto, por si mesmo, está limitado para uma doação material quando vê que essa é a urgente necessidade. Encoraja, exorta, mas para quem está encarnado o peso material é uma variável importante no equilíbrio da balança mental. Daí podemos concluir que a caridade bem compreendida identifica as necessidades e busca atendê-la, começando pelas mais urgentes. É neste ponto que a caridade material pode ser, a depender do caso, prioritária!

Item 14. Várias maneiras há de fazer-se a caridade...
Pergunta: Por quais meios práticos podemos fazer a caridade, além da doação material?

Resposta: A caridade moral é a promoção do bem-estar aos outros. Nesses casos, podemos fazê-la na companhia em um momentos edificante, no sorriso que afasta sombras dos semblantes preocupados, no encorajamento de alguém ante uma dificuldade para ela insolúvel, uma oração amorosa aos céus em nome de alguém, na mensagem para alguém distante que demonstra sua presença, nas recordações amigas, endereçando um bom pensamento ao familiar inquieto, trazendo à superfície dos pensamentos de alguém que sofre, a lembrança de Deus. 

Item 15. Meus caros amigos, todos os dias ouço...
Pergunta: Em termos práticos, como praticar a indulgência? 

Resposta: Por base, ser indulgente é a consequência de compreender e aceitar que o outro é imperfeito. A partir daí os erros, as ofensas, a maledicência irritante, a reclamação contumaz, enfim, são vistos apenas como o produto da imperfeição, e não como ataques pessoais que nosso orgulho faz parecer. É o perdão imediato, se a primeira barreira da compreensão falar. Assim, quando relevamos comentários impróprios, se interrompemos o fluxo da palavra maldosa, quando anulamos a vontade do mal se propagar, quando evitamos a crítica, ao silenciar ante as expansões de revolta que tentam encontrar em nós apoio para existir, e muitas outras formas, são meios de praticar a indulgência para com todos.

Item 16. A mulher rica, venturosa, que não precisa empregar...
Pergunta: Como podemos identificar aquilo que temos e que pode ser dividido com quem não tem ou tem menos?

Resposta: Partiremos da afirmação de que todos temos alguma coisa que pode ser útil pra alguém. Materialmente é a forma mais fácil e simples de identificar. Por outro lado, todos temos algum conhecimento que pode esclarecer, tempo para uma visita a um doente, habilidade para criar refeição e alimentar quem não pôde ainda comer, dom de ouvir que pode ser usado para escutar as confidências de quem sofre incompreendido. Um talento na costura, no esporte, na força física, na música... Na primeira parte, cada um de nós olhando para dentro, com sinceridade e humildade, poderá encontrar uma forma de ser útil e servir. Em segundo lugar, para ir até a ação, é importante seguir a inspiração da humildade, uma vez que o orgulho sempre nos dirá que o que temos é pouco, não fará diferença, que não vale a pena fazer tão pouco por semana, abrir mão do descanso, ou ainda que temos pouco tempo e que não dá pra fazer isso agora etc. Em termos de caridade, a vontade deve nascer primeiro.

Item 17. A piedade é a virtude que mais vos aproxima...
Pergunta: Como entender que a piedade é a precursora da caridade?

Resposta: Introduzindo este conceito, é mais fácil entendermos a ideia da caridade bem praticada, o ato sincero, da doação que nasce no coração... Quando uma ação de caridade material ou moral vem a partir deste sentimento que, do nosso ponto de vista, nos faz sentir a dor da situação, a lamentável circunstância, a dificuldade que alguém está passando, pela empatia, sensibilidade que tenhamos, o próximo impulso no sentido de ser a mão amiga, o auxílio está nascendo realmente no coração. Este sentimento todo divino é a piedade que coroará de luzes o ato de caridade, fazendo-a figurar realmente dentre a verdadeira caridade, aquela nascida no coração.

Item 18. Meus irmãos, amai os órfãos...
Pergunta: Não seria mais prático e efetivo se soubéssemos que alguma criança abandonada, sem pais, é um familiar de uma encarnação anterior, uma vez que assim poderíamos com mais certeza garantir seus cuidados e proteção?

Resposta: Sim. No entanto, o objetivo maior da lei de Deus para nós, espíritos em aprendizado, não é garantir proteção e cuidados, em si. Isto Deus já o faz! Mas de desenvolver em nosso coração a bondade, o amor, partindo da própria vontade de servir a quem necessita. Isto porque, como explicado na mensagem, sabendo dessas informações de antemão, os cuidados e proteção seriam dirigidos pela obrigação e não pelo sentimento de amor, como acontece em muitas relações familiares que são sustentadas pelos compromissos consanguíneos, sem que o coração espontaneamente participe.

Item 19. Que se deve pensar dos que, recebendo a ingratidão...
Comentário: A ingratidão recebida pode constituir um duro golpe no orgulho e no egoísmo, se o temos mais ou menos pronunciado. Quando recebido com resignação, isto é, aceitando a atitude do outro sem reclamar, por entender que é isso que o outro faz pelo nível evolutivo que está, demonstra-se que mais valor damos à humildade e à caridade de dar em troca o silêncio e a oração sincera. Sentimos o golpe no orgulho e no egoísmo quando a dor mistura-se à revolta íntima e, por vezes, a devolução ou afastamento. De posse dos esclarecimentos espíritas, cabe-nos o entendimento de que, a experiência dolorosa bem aproveitada redunda em uma tranquilidade de consciência que o ingrato não conhece ainda. Isto nos faz sair bem, pois significa perseverança no bem.

Item 20. É acertada a beneficência, quando praticada...
Comentário: A atitude dos benefícios, da caridade mesmo, trocados entre pessoas que dividem os mesmos interesses demonstram um estado de compreensão de um nível moral mais ou menos dominante entre os judeus do tempo de Jesus, visível em passagens e costumes que mostravam que a identidade e a força da tradição era reforçada pelos cuidados e preservação do grupo, em detrimento dos demais: gentios, samaritanos etc. Com Jesus apresentando as leis de Deus, pai de todos, com caráter universal, este pensamento foi combatido e reeducado nos espíritos que o têm como modelo e guia desde então. Porém, como todo processo educacional, de transformação, não prescinde do tempo para sua consecução. É por essa razão que ainda presenciamos esta mentalidade nos tempos atuais ou mesmo dentro de nós.